AFINAL, POR QUE TANTAS PESSOAS CONFUNDEM CATEGORIA PROFISSIONAL COM CLASSE SOCIAL?

 

Antes de qualquer coisa é preciso classificar o que é Categoria Profissional, e o que é Classe Social, bem como suas relações, o que requer uma interpretação atenta que não se afunde na lama do simplório engodo corporativista.

No atual meio social em que vivemos, categoria profissional, num sentido mais geral, se refere a uma atividade de trabalho que se processa em um ramo de atuação específico, aonde se criam competências direcionadas a determinada (s) profissão (ões). Neste sentido, se estrutura por um conjunto de saberes e práticas que, no âmbito institucional, compõem um rol de atividades respectivo às regulamentadas competências profissionais.

Essa caracterização pode ser mais específica (ou estratificada), ou mais generalista, de acordo com a estrutura produtiva* de Trabalho em que se insere, seu nível de especialização e as correspondentes tecnicalidades.

Como exemplo, temos categorias profissionais em diversos ramos: como da Saúde, da Agricultura, da Educação e Cultura, dos Transportes, da Construção Civil, entre diversos outros.

No nosso caso, do ramo da Saúde, temos 14 categorias profissionais de nível superior regulamentadas, sendo a Nutrição uma delas. Portanto, os Nutricionistas não são uma classe por si só, mas sim uma categoria profissional que pertence à Classe Trabalhadora.

São dezenas de profissões regulamentadas pela superestrutura ideológica do Estado Capitalista brasileiro, e outras muitas mais em situação de informalidade, porém, não menos produtiva.

Ademais, estas categorias profissionais, em geral, pertencem à Classe Social principal: a Classe Trabalhadora. Situando-se na Estrutura Produtiva em que se inserem, determinadas pela Macropolítica Econômica vigente. Portanto é nas Classes Sociais que se situa as análises, contradições e relações principais, o que requer uma análise de outra magnitude e principal importância, no seguinte sentido:

1 – Trabalhadores do Campo e da Cidade: aquelas mulheres e homens que não detém pelo menos um dentre as seguintes propriedades: os grandes Meios de Produção Industrial, o Grande Capital Financeiro, e as Grandes Propriedades Privadas.

Estes Trabalhadores, não proprietários, representam a imensa maioria da população do Modo de Produção Capitalista, e se dividem, em linhas gerais, entre Trabalhadores do Campo (camponeses) e do Meio Urbano.

Nessa inserção concreta na estrutura produtiva capitalista temos duas Classes Sociais principais não proprietárias, representadas por Camponeses e Trabalhadores da Cidade.

2 – Latifundiários, Empresários e Banqueiros: aquelas mulheres e homens que detém pelo menos um dentre as seguintes grandes propriedades privadas: os grandes Meios de Produção nas Indústrias, o Grande Capital Financeiro, e as Grandes Propriedades Privadas, entre elas, o Latifúndio.

Estes representam uma ínfima parte da população, e, em linhas gerais, se dividem em: Latifundiários, no Campo; e Grandes Empresários e Banqueiros no Meio Urbano.

Com base nessas duas definições faz-se necessário entender as inter-relações que se colocam no mundo do Trabalho. Pois, em sua determinação principal, concretamente, coexistem em um inerente antagonismo de Classes, antagonismos estes que se dão entre Classes Proprietárias e Não Proprietárias.

Pois, independente dos nossos desejos, este antagonismo de Classes possui raízes concretas e inerentes às Relações Sociais de produção que engendram exploração e opressão para os não proprietários; e privilégios e acúmulo violento de riquezas materiais para os proprietários.

Esta realidade se assenta em interesses diametralmente opostos e inconciliáveis, nas condições concretas de Vida e de Trabalho. Sendo assim, independente dos nossos desejos, Trabalhadores/Camponeses X Empresários/Banqueiros/Latifundiários possuem interesses inconciliáveis, inerentemente antagônicos e diametralmente opostos.

Já que os primeiros vendem suas forças de trabalho e os segundos as compram. Trabalhadores/Camponeses querem salários maiores, mais direitos e menos exploração para viver melhor, com mais dignidade; Empresários/Banqueiros/Latifundiários querem pagar salários menores, menos direitos e mais exploração para lucrar mais.

Compreender esses fenômenos é parte fundamental de qualquer luta sindical. Eles querem mais e mais privilégios, nós queremos direitos, dignidade e justiça social.

Essa é uma síntese do Trabalho no Capitalismo: quem detém os meios de produção (Máquinas, Estrutura e Capital) rouba e parasita o trabalho alheio. Meios de produção que, em geral, contém forte componente hereditário e histórico, e se apoia na institucionalidade estatal, militar e midiática para garantir segurança e relativa coesão social diante de tantas contradições, privilégios e injustiças geradas nessa relação Capital/Trabalho.

Com o avanço de um novo ciclo econômico e científico de Reestruturação Produtiva do Modo de Produção Capitalista, no final do século XX, os Trabalhadores tiveram seus processos de trabalho cada vez mais especializados e estratificados, gerando uma maior quantidade de profissões, ou seja, de categorias profissionais.

A cada novo ciclo de Reestruturação Produtiva, há uma tendência de se ampliar o número de profissões, com atuação cada vez mais especializada, e que separa cada vez mais o processo produtivo integral, em relação ao Trabalhador, pois, as Forças de Trabalho (o Trabalhador) se tornam cada vez mais restritas a uma etapa do processo produtivo. Ou seja, cada vez menos o Trabalhador consegue ter acesso ao produto final do seu trabalho, seja, pela negação do acesso econômico, seja pela negação do acesso pelo seu próprio Processo de Trabalho. Alienando-o do conjunto do processo produtivo.

Neste sentido, os Trabalhadores têm se estratificado cada vez mais, se afastando nas atividades laborais, o que vem acarretando afastamentos e desarticulação na sua luta política e econômica unificada enquanto Classe Social que realmente produz.

Essa luta Econômica e Política unificada é a única condição para sua libertação da exploração e opressão patronal. Portanto as lutas por profissões devem ser orientadas e dirigidas por esta perspectiva estratégica. Qual seja, a perspectiva estratégica da Luta de Classes, o verdadeiro motor da História.

Logo, é papel de todo sindicato de trabalhadores lutar contra o patronato de forma independente, combativa e classista. Nossa luta deve ser intransigente frente à intransigência dos patrões em nos explorar e oprimir, não poupando esforços coercitivos no campo econômico, político e bélico. Doravante, não nos resta alternativa, senão aumentar nossa capacidade de lutar.

Portanto, o SINERJ para nós é um instrumento de luta do povo trabalhador contra a exploração e opressão dos patrões (empresários = burguesia; banqueiros e latifundiários). Patrões estes, que, independentes dos nossos desejos, também parasitam o Trabalho de nutricionistas, ou seja, nosso Trabalho.

Este instrumento de luta deve servir tanto à categoria de Nutricionistas na sua luta econômica reivindicativa; como à luta política de toda a classe trabalhadora pelo poder popular, que só pode vir, de fato, por meio de uma profunda e estrutural transformação social, num processo de ruptura com o atual sistema. Servindo ao povo trabalhador e camponês em geral, sendo o profissional de Nutrição parte integrante da imensa parcela dos não proprietários.

Nesse sentido, não é correto analisar a situação das nutricionistas no estado e no país de forma descontextualizada do conjunto dos trabalhadores. Isso leva a um erro de análise política que isola a luta, a categoria, e não traz mudanças significativas. É preciso enfatizar que os fenômenos centrais presentes no Trabalho de Nutricionistas são fenômenos comuns a todo o povo trabalhador, e que só com unidade de Classe Operária/Camponesa poderemos mudar a nossa realidade e o cotidiano de nossa Vida e Trabalho.

A luta limitada ao corporativismo é um desvio individualista e despolitizado, é uma inculcação das classes dominantes para nos dividir e enfraquecer. É uma ilusão que deve ser contra argumentada e combatida, pois só a unidade de Classe conquistará o que realmente merecemos.

Merecemos Qualidade de vida e dignidade, inexistentes para esta imensa maioria  de Trabalhadores e Camponeses.

Portanto, enquanto Trabalhadores que somos, nossos interesses são inconciliáveis com nossos Patrões proprietários. Não somos colaboradores das empresas que trabalhamos! Somos Trabalhadores explorados e oprimidos pelos Patrões donos destas empresas.

São múltiplas as determinações que influenciam na nessa realidade complexa, mas, o que nos interessa, são as determinações principais. Ou seja, o que nos interessa é entender as Contradições principais, para que nossa Prática não caia em um corporativismo que só enfraquece a nossa luta, a luta do nosso povo..

*Neste ensaio, não pretendemos aprofundar a dialética entre o Trabalho Produtivo e o Trabalho improdutivo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANTUNES, Ricardo. A dialética do trabalho: escritos de Marx e Engels. 1° ed. São Paulo: Expressão Popular, 2004.

MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. Livro 1. O processo de produção do capital. Volume II. Rio de Janeiro : Bertrand Brasil S. A., 1989

MARX, Karl. Trabalho Estranhado (extrato). Idéias, Campinas, Ano 9 (2), 10 (1), p. 455-472, 2003.

MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos e outros textos escolhidos. Os pensadores. São Paulo : Abril Cultural, 1978.

TUNG, M; T. Sobre a Prática e Sobre a Contradição. Editora Expressão Popular, São Paulo. Escritos em 1937 (China).