Carta de Apresentação

É com grande satisfação que comunicamos a chegada de uma nova direção, um novo coletivo ao Sindicato de Nutricionistas do Estado do Rio de Janeiro – SINERJ.

Não temos dúvidas da importância desta entidade para a luta dos trabalhadores, e, em específico para a luta das nutricionistas de todo o estado.

Antes de qualquer coisa, é preciso afirmar que Sindicato forte é Sindicato com sua base organizada para lutar pelos seus direitos! Portanto, nos empenharemos para que a categoria esteja cada vez mais mobilizada, organizada e politizada. Somos todos sujeitos históricos, inerentemente seres políticos, e nossa realidade atual reflete o que coletivamente temos feito enquanto tal.

Politizar nossa atuação significa entender de forma teórica e prática, os fenômenos em que estamos inseridos, e as estratégias que historicamente a classe trabalhadora tem lançado mão para enfrentar os desafios que se colocam diante de uma realidade dialeticamente concreta.

Nesse sentido, cabe destacar, que Teoria sem Prática é um conto de fadas, e a Prática sem Teoria é um beco sem saída.

Sendo assim, independente dos nossos desejos, Trabalhadores X Empresários/Burguesia possuem interesses inconciliáveis, inerentemente antagônicos e diametralmente opostos, já que o primeiro vende sua força de trabalho e o segundo a compra. Trabalhadores querem salários maiores, mais direitos e menos exploração para viver melhor, com mais dignidade; Empresários querem pagar salários menores, menos direitos e mais exploração para lucrar mais.

Compreender esses fenômenos é parte fundamental de qualquer luta sindical.

Essa é uma síntese do Trabalho no Capitalismo: quem detém os meios de produção (Máquinas, Estrutura e Capital) rouba e parasita o trabalho alheio. Meios de produção que, em geral, contém forte componente hereditário e histórico, e se apoia na institucionalidade estatal e midiática para garantir segurança diante de tantas contradições e injustiças geradas nessa relação Capital/Trabalho.

Logo, é papel de todo sindicato de trabalhadores lutar contra o patronato de forma independente, combativa e classista. Nossa luta deve ser intransigente frente a intransigência da burguesia em nos explorar e oprimir, não poupando esforços coercitivos no campo econômico, político e bélico. Doravante, não nos resta alternativa, senão aumentar nossa capacidade de lutar.

Portanto, o SINERJ para nós é um instrumento de luta do povo trabalhador contra a exploração e opressão dos patrões (empresários = burguesia; e latifundiários). Patrões estes, que, independentes dos nossos desejos, também parasitam o Trabalho de nutricionistas, ou seja, nosso Trabalho.

Este instrumento de luta deve servir tanto a categoria de Nutricionistas na sua luta econômica reivindicativa; como a luta política de toda a classe trabalhadora pelo poder popular, que só pode vir, de fato, por meio de uma profunda e estrutural transformação social, num processo de ruptura com o atual sistema, servindo ao povo trabalhador e camponês em geral, e que o profissional de Nutrição é parte integrante.

Não é correto analisar a situação das nutricionistas no estado e no país de forma descontextualizada do conjunto dos trabalhadores. Isso leva a um erro de análise política em que isola a luta, a categoria, e não traz mudanças significativas. É preciso enfatizar que os fenômenos centrais presentes no Trabalho de Nutricionistas são fenômenos comuns a todo o povo trabalhador, e que só com unidade de Classe (trabalhadores e camponeses) poderemos mudar a nossa realidade e o cotidiano de Trabalho.

A luta limitada ao corporativismo é um desvio individualista e despolitizado, é uma inculcação das classes dominantes para nos dividir e enfraquecer. É uma ilusão que deve ser contra argumentada e combatida, pois só a unidade de classe conquistará o que realmente merecemos.

De outro lado, estendemos que a luta política nos é mais importante que a luta jurídica, sendo a primeira dirigente da segunda. Sim, não devemos abrir mão das ações judiciais em busca de direitos trabalhistas. Porém, nos é mais importante a força da luta popular coletiva organizada, do que levantar falsas expectativas no sistema judiciário, uma superestrutura ideológica que não serve aos Trabalhadores, mas sim, em última análise aos Empresários, latifundiários, banqueiros e toda institucionalidade que os representa dentro deste velho estado.

Salva-se daí pequenas brechas de coesão social estratégica que estas classes dominantes utilizam para se legitimarem com uma capa dissimulada de “democracia”.

Nessa conjuntura, compreendemos a indignação daqueles que andam céticos com os sindicatos existentes, o que para nós, tem uma explicação conjuntural, pois é decorrência das condições histórico-políticas contemporânea, no presente estágio da luta de classes (trabalhadores X empresários / camponeses X latifundiários).

Pois, historicamente, muitos sindicatos (nem todos) foram tomados por oportunistas com projetos políticos e práticas que se usam das demandas e necessidades legítimas dos trabalhadores para se auto promoverem, cavalgando sobre as justas reivindicações do povo.

Pescadores de águas turvas, vendem as causas do povo, sendo, infelizmente, verdadeiros carreiristas que traíram sua classe, fazendo das suas atividades políticas um trampolim profissional para se locupletarem.

Em contrapartida, nossa indignação frente a isso deve se tornar algo produtivo, deve centuplicar nossa capacidade e disposição de lutar.

Nossa linha de atuação política rompe com esse cretinismo político e com esta velha burocracia sindical que assola nossas lutas desde a vinculação desses sindicatos, outrora independentes, a institucionalidade burguesa, em especial à institucionalidade do Ministério do Trabalho e Emprego no final da metade do século XX, no governo de Getúlio Vargas.

Esse processo histórico se aprofundou com a traição oportunista dos eleitoreiros dos atuais governos que se reivindicam serem dos Trabalhadores, mas que, na prática, em derivação geral, não são mais do que uma nova aristocracia institucional serviçal daqueles que financiam suas campanhas eleitorais.

Estes setores eleitoreiros tanto governistas, como oportunistas possuem rostos e discursos de trabalhadores, masseu burocratismo e recuada prática política freia a luta dos trabalhadores e serve aos patrões. O que debilita a independência, a combatividade e o classismo dos sindicatos brasileiros.

Isso tudo, em grande medida, atrasou as conquistas justas, legítimas e necessárias que a classe trabalhadora busca historicamente, já que os maiores direitos sociais que parte do povo brasileiro conquistou (Férias, 13º salário, limite para a Jornada de Trabalho, licença maternidade, salário-mínimo, entre outros) datam da época anterior a vinculação dos sindicatos de trabalhadores ao aparato institucional burguês, na primeira metade do século XX.

Entretanto, vale ressaltar, que esses direitos ainda são muito pouco diante do que realmente os trabalhadores produzem. Mesmo tendo impactos significativos na vida do povo, isso não passa de migalhas que a força da luta impôs ao empresariado, que foi obrigado a abrir concessões. Mas, merecemos muito mais!

Não é demais afirmar que enfrentamos o poder político e econômico concentrado nas mãos das classes sociais que nos é antagônica (empresários e latifundiários). Numa relação dialética, o saldo disso reflete nossa situação no mundo do Trabalho e na luta política.

Sobre nós, SINERJ, especificamente, não podemos responder por direções que nos antecederam, pois não participávamos destas, portanto, não temos nenhuma responsabilidade retroativa. Nossa trajetória militante não deve ser confundida com isso, não seria justo.

Colocamos-nos à disposição das Nutricionistas e de todos os trabalhadores que queiram se organizar para lutar contra os baixos salários, por melhores condições de trabalho e de vida, para caminharmos juntos rumo a valorização do trabalho da nossa profissão e de todo o povo trabalhador, o que não será possível sem aumentarmos em grande medida nossa capacidade de organização e luta.

Esclarecemos que somos uma direção nova, um grupo novo, recém-empossada, a cerca de um mês e com um acúmulo de questões administrativas e demandas reprimidas da categoria enorme. O que nos impõe uma reestruturação deste sindicato e grande empenho para sanar estas pendências.

Nossa dedicação é voluntária, e o que nos move é nossa profunda e sincera disposição para lutar pelo justo, pelo necessário, pelos direitos das Nutricionistas e dos trabalhadores.

Não venderemos ilusões. A Nutrição não está isolada da realidade social em que vivemos. Isso seria impossível! Portanto, só a luta por uma profunda transformação social pode trazer mudanças permanentes, tanto para a nossa categoria como para todos os trabalhadores.

Fraternalmente,

SINERJ.